Notícias de Londres

No ano de 2005, iniciou-se uma nova fase na carreira de Michael. Convidado pelas universidades inglesas de Salford e Brunel para realizar exames de admissão para Mestrado em Jazz, Michael decidiu ter uma experiência em palcos estrangeiros. Os exames consistiram de audições ocorridas em maio daquele ano e a receptividade não poderia ser melhor, arrancando dos professores os melhores comentários, como o do Prof. David King:

Tenho estado em contato com Sr. Arce desde sua inscrição formal para ingressar no Programa de Mestrado da Universidade de Salford. A sua inscrição no início de 2004 foi impressionante e demonstrou um perfil de padrão profissional indicativo de um indivíduo comprometido, apaixonado, e excepcionalmente talentoso num campo onde há poucos especialistas de seu nível no mundo. A audição revelou uma profundidade de emoções e percepção do conteúdo musical que impressionou a mim, como Coordenador do Departamento de Música, como também ao Sr. Robin Dewhurst, Coordenador da Divisão de Música Popular – Performance.”
(Professor David King-Coordenador do Departamento de Música – Performance)

Como resultado de sua primeira audição, Michael foi convidado para apresentar o workshop “Harmonica: possibilities and challenges”,  na University of Salford em Manchester em Salford(setembro de 2005).

“O workshop que Michael apresentou foi muito informativo, focado e bem apresentado, centrando-se nos elementos históricos e de construção do instrumento. A sua performance foi de um nível extremamente alto, com o uso imaginativo da harmônica, capturando os corações e as mentes dos alunos.” (Jostine Loubser - Lecturer: Popular Music & Recording na Salford University)

 

 

Michael mostrou seu trabalho e participou como convidado em Shows na Inglaterra e Espanha.

Algumas das apresentações na Europa:

 

Londres

Jazz 7
24 de abril
Hugh Burns Quartet

 

 

 

 

 

606 Club
12 de maio
Tim Whitehead Quartet

 

Madrid

El Junco
14 de junho
Israel Sandoval Grupo

16 de junho
Lenna Pablo

 

A viagem por ele mesmo

“Quando vim do sertão seu moço, do meu Bodoco, a minha malota era a mala e o cadeado era o nó...” Retirantes da musica, brasileiros espalhados pelos mundo levando o som do Brasil em sua mala. Foi assim que em 2005 embarquei para a Inglaterra, com minha gaita e muita coragem. Uma aventura com todos os detalhes de um roteiro de cinema: sonhos, dúvidas, hesitação, excitação, decisão, vitórias, fracassos, descriminação, companheirismo, despedidas, paixões, romance e muita música!

Diante de tudo isso “pirei o cabeção”! Acho que ninguém passa impune desta experiência, ninguém volta para casa igual.

Muita coisa me chamou a atenção, como receber grana para dar canja, baterista chegando na hora certa do ensaio! Brincadeira... Posso descrever como pontos máximos da viagem a forma como fui recebido nas faculdades Inglesas. Cara! em uma delas tinha uma banda de jazz da graduação me esperando em uma puta sala, piano de cauda, baixo acústico e tudo mais, um luxo! Na outra faculdade os professores formavam a banda e tudo correu de forma linda e emocionante. Muito engraçado! No inicio o professor titular usava um terno com gravata e tudo. Durante a minha explanação sobre a gaita e consecutivas musicas tocadas a expressão dele mudava, e a gravata que antes estava alinhada e apertada não chegou em sua posição austera até o final da apresentação. Conforme a gravata ia afrouxando o sorriso ia tomando conta do rosto do professor. Bom... o resto são historias e mais historias sobre canjas e noitadas. Meu velho! Te digo... Espanha! O que e aquilo! Que público bom, quente e amante da boa musica. A noite memorável foi quando dividi o palco com o supra-sumo da harmônica jazz européia, o Antonio Serrado, e depois com bandoneonista Italiano, Paolo Russo, que me convidou para tocar com ele Libertango de Piazola. Pura emoção! Foi meu debut de Piazola e com um bandoneon no palco, o que mais posso querer? Só posso dizer que depois disso voltei para o Brasil e aprendi a tocar acordeon e hoje além de Luiz Gonzaga o hermano argentino é figura certa em meu repertório.

Como eu disse... é impossível passar por uma experiência desta impune, para um músico então muito menos.

Depois desta viagem fiquei louco por conhecer, ver e ouvir. O gosto pela estrada, ou melhor, pelo avião, me tomou de assalto. Tive desde então uma temporada no nordeste do Brasil e Argentina, tocando com a rapaziada local, mas isso são outras historias...

Michael Arce

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